Matematica e Cotidiano

#1 – M&C – Como é calculada a tarifa de ônibus no Rio de Janeiro?

Não são só pelos 20 centavos!

Esta frase é bem impactante para pessoas que presenciaram os protestos de 2013, um reajuste sofrido na tarifa de ônibus seria um salto inicial para uma das maiores mobilizações populares que o Brasil teve. Nós sabemos que a tarifa se reajusta, podendo ser para valores abusivos, mas eis a questão:

Qual é a base de cálculo usada para se atribuir o preço da tarifa de ônibus?

Como cidadão carioca, falarei dos parâmetros e regras feitas pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

De acordo com o DECRETO RIO Nº 41190 DE 30 DE DEZEMBRO DE 2015.

Baseado num contrato de concessão há a seguinte base de cálculo

teste

onde:

P_c= Preço da Tarifa calculada.

P_O= Preço da Tarifa vigente.

\Delta OD= Variação do valor de Óleo Diesel (IPA-FGV)

\Delta RO= Variação do valor de Pneus para Ônibus e Caminhões (IPA-FGV)

\Delta VE= Variação do valor de Veículo Ônibus,  chassis com motor e carroceria (IPA-FGV)

\Delta MO= Variação do valor da Mão de Obra (INPC-IBGE)

 \Delta DE= Variação  do valor de Outras Despesas  (INPC-IBGE)

Ou seja, para calcular a tarifa, temos no total 5 variáveis que são as variações de valores de cada custo do serviço. Cada variável está embutida um “peso”, repare que a variação do valor de Óleo Diesel (DO) está multiplicado por 0,21 na equação acima, isto quer dizer que nesta variável temos o peso de 21% do custo total e temos o mesmo raciocínio para todas as outras.

De onde vem as informações para o cálculo?

Todas as bases de cálculo da fórmula acima para verificar as variações de preços vem com fontes de referência, aí está o uso prático da Estatística na sociedade, para OD, RO e VE temos o Índice de Preços por Atacado feito pela Fundação Getúlio Vargas e para MO e DE temos o Índice Nacional de Preços ao Consumidor feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 

Repare que no próprio Decreto existem custos que vão além da própria fórmula acima (e que não localizei como calcularam, pois não é explícito nem no Decreto e muito menos no contrato de concessão) que são da instalação de ar condicionado e o custo da gratuidade. Enquanto no custo da instalação de ar condicionado com meta de se alcançar 70% de toda frota para 2016, veja que nem chegaram a 40% como é dito em 05/09/2016 no Globo:

Apenas 39,4% dos ônibus de linhas regulares do município tem ar condicionado

E a questão fica mais crítica quando pagamos adicionais de custos que não são cumpridos até no início de 2017, como você pode ver na notícia do jornal O Dia:

Só 42% dos ônibus municipais do Rio têm ar-condicionado

Por fim, ficam questões a serem pensadas:

  1. A fórmula usada como base nos contratos pode ser considerada boa para calcular o custo da tarifa?
  2. O quão confiável é usarmos como base o IBGE e FGV usando seus respectivos índices para avaliar as variações de preços?
  3. Baseado no DECRETO RIO Nº41.190 DE 30 DE DEZEMBRO DE 2015, quantos reais no total você já deu às empresas da Rio Ônibus só em custo para climatizarem todos os ônibus que já estouraram a meta e não climatizaram?

Fontes:

¹ DECRETO RIO Nº 41.190 DE 30 DE DEZEMBRO DE 2015

² DECRETO N° 32.842 DE 1º DE OUTUBRO DE 2010

³ O GLOBO

O DIA

 

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